Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

A destruição da capacidade produtiva do país...

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&id_news=210651

Garcia Pereira aponta «completo desnorte» de Mário Soares
O candidato presidencial Garcia Pereira considerou terça-feira que a garantia dada por Mário Soares sobre a não privatização dos estaleiros navais de Viana do Castelo é um «sintoma do completo desnorte e desespero» da candidatura.
«Além do cadáver do Governo, a candidatura de Mário Soares já transporta o caixão, as flores e os restantes apetrechos do respectivo funeral», afirmou, no final de um almoço em Pias, Serpa.
Garcia Pereira falava aos jornalistas, depois de hoje, em Viana do Castelo, Mário Soares ter afirmado que recebeu garantias do Governo de que os estaleiros navais não serão privatizados.
O candidato apoiado pelo PS afirmou a representantes dos trabalhadores dos estaleiros ter recebido a garantia do ministro da Defesa, Luís Amado, de que não existe qualquer intenção de privatizar a empresa, que é uma sociedade anónima com capitais totalmente públicos.
Para o candidato apoiado pelo PCTP/MRPP, o facto do ministro da Defesa ter apresentado garantias a Mário Soares sobre este assunto configura uma «violação gravíssima dos deveres de neutralidade e imparcialidade» do Governo.
«É absolutamente lastimável que o Governo esteja a violar esses deveres, favorecendo um candidato», criticou Garcia Pereira.
Esta atitude, acrescentou, serve apenas para «prejudicar, ainda mais, a candidatura de Mário Soares» porque os eleitores «não desculpam que se esteja a tentar utilizar, em desespero de causa, truques deste tipo».
«Desde o início que considero perdedora a candidatura de Soares porque parte do pressuposto de pretender consubstanciar uma ajuda ao Governo. O Presidente da República não tem que ser um intérprete do Governo. Pelo contrário», sublinhou.
Antes do almoço em Pias, terra do histórico militante do PCTP/MRPP João Preguiça, que se tornou mediático nas legislativas de 1995, quando rumou a Lisboa de carroça para pedir contas ao Governo de Cavaco Silva, Garcia Pereira ainda passou por Beja e Serpa.
Neste último concelho, o candidato aproveitou para criticar o actual Presidente da República, Jorge Sampaio, e o seu antecessor, Mário Soares.
«A destruição do cargo de Presidente da República começou com Mário Soares e continuou com Jorge Sampaio, que é um homem de esperar para ver», acusou.
Já no percurso para Pias, a comitiva ainda parou junto a uma herdade que, segundo indicou João Preguiça, mandatário distrital de Garcia Pereira, está actualmente na posse de espanhóis.
Uma situação que, de acordo com o mesmo militante, não é única, já que, entre os concelhos de Beja e Moura, existem «cerca de 60 propriedades agrícolas» nas mãos de empresários oriundos de Espanha.
A este propósito, o candidato presidencial acusou os sucessivos governos de terem utilizado os fundos comunitários para «destruir a capacidade produtiva do país» e exigiu que se faça um balanço da aplicação dos fundos comunitários.
João Preguiça mostrou-se mais céptico quanto ao futuro do país: «Portugal só endireita quando o PCTP/MRPP fizer uma revolução».
Nas eleições presidenciais de 2001, Garcia Pereira obteve, no concelho de Serpa, num total 6.815 votantes, 77 votos, 22 dos quais na freguesia de Pias.
Diário Digital / Lusa
17-01-2006 18:17:00