quinta-feira, Novembro 17, 2005

Discurso na inauguração

Meus Caros Amigos:
Foi publicamente anunciado que eu faria aqui hoje uma "declaração política.
Pois bem. Não posso então deixar de começar por um conjunto de declarações políticas de agradecimento.
Antes de mais, a todos e a cada um de vós, por me honrarem com a vossa presença, com o vosso carinho, com o vosso apoio, que constituem para mim um formidável incentivo para levar esta batalha cívica até ao fim.
Depois, um agradecimento muito sentido a todos os cidadãos e cidadãs que já se dignaram conceder-me o privilégio de aceitarem o convite para integrarem a Comissão de Honra e cujos nomes não posso deixar de, com justificado orgulho, aqui citar.
- Sr. Comandante João Soeiro, Comandante da TAP, Lisboa
- Sr. Dr. Arnaldo Matos, Advogado, Lisboa
- Srª Drª Isabel Antunes, Empresária, Cortegaça
- Sr. Dr. Edmundo Pires, Veterinário, Presidente da Direcção do Sindicato dos Medidos Veterinários, Carnaxide
- Sr. Luís Franco, Operário Electricista, Presidente da Direcção do Sindem – Sindicato dos Electricistas do Metropolitano, Ramada - Odivelas
- Srª Drª Ana Leal, Advogada, Lisboa
- Sr. Coronel Eugénio de Oliveira, Oficial do Exército na reforma, Lisboa
- Sr. Dr. Carlos Paisana, Advogado, Lisboa
- Sr. Alfredo Dinis Gonçalves, Operário, Membro da Comissão de Luta do Vale do Tâmega, Mondim de Basto
- Sr. Dr. António Montalvo, Advogado, Consultor da União Europeia, Lisboa
- Sr. Dr. José Eduardo Gonçalves Lopes, Juiz Desembargador Jubilado, Lisboa
- Sr. Manuel Antunes, Empresário, Cortegaça
- Sr. Dr. Paulo Graça Lobo, Advogado, Almada
- Sr. Engº João Peters, Engenheiro e Professor, Lisboa
- Sr. José Hartley Fernandes, Funcionário público, Lisboa
- Sr. Dr. Paulo Alves dos Santos, Advogado, Lisboa
- Sr. António Teixeira, Funcionário público, Guimarães
- Srª D. Adelaide Teixeira, Funcionária pública e Presidente da Direcção da Associação Popular Ribeiro Santos, Lisboa
- Sr. Dr. Álvaro Sampaio, Conservador dos Registos, Famalicão
- Sr. Dr. Agnelo Martins, Médico e Director Clínico, Lisboa
- Sr. José Pacheco de Almeida, Consultor de Empresas, Ponta Delgada – Açores
- Srª Drª Ana Montalvo, Advogada, Lisboa
- Srª D. Manuela Parreira, Trabalhadora da PT, Atalaia - Montijo
- Sr. Eduardo de Jesus, Electrotécnico de Telecomunicações, Vice-Presidente da Assembleia-Geral do Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom, Lisboa
- Sr. Adelino Magalhães Nogueira, Ferroviário e Presidente da Direcção do Sindicatos dos Trabalhadores da Vias Férreas Portuguesas, Urgezes - Guimarães
- Sr. Fernando Jorge, Oficial de Justiça e Presidente da Direcção do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Charneca da Caparica
- Drª Olga Almeida, Jornalista, Faro
- Dr. Luís Telésforo, Professor, Lisboa
- Drª Filomena Dias, Directora de Laboratório da TAP/UCS, Portela – Loures
- Sr. Rui Cartaxana, Jornalista, Lisboa
- Sr. Carlos Gomes, Supervisor, Almada
- Srª D. Ana Maria Oliveira, Técnica de Higiene e Segurança da TAP/UCS, Lisboa
- Sr. Engº Matos Cristóvão, Presidente da Direcção do SINERGIA – Sindicato da Energia, Aldeia do Juzo - Cascais
- Sr. Armando Fernandes, Jornalista, Director do Jornal "O Arrifana", Penafiel
- Sr. Dr. Caldeira Fradique, Médico, Director Serviços do Hospital S. José, Lisboa
- Sr. Dr. Carlos Lopes, Advogado, Tavira
- Sr. João Preguiça, Agricultor, Pias
- Sr. Dr. Paulo Custódio, Advogado, Olhão
- Sr. Jorge Mota, Bancário, Cascais
- Sr. Domingos Bulhão, Vendedor, Almada
- Sr. António João Gambôa, Maquinista da CP, Delegado Sindical do SMAQ (Sindicato Nacional dos Maquinistas), Tavira
- Sr. José Augusto Oliveira, Empresário, Sintra
- Srª Drª Maria José Campos, Médica, Lisboa
- Sr. Luís Lima, Solicitador, Braga
- Sr. Guilherme Lopes Alves, Gráfico, Odemira
- Srª Drª Filomena Menezes Alves, Advogada, Montijo
- Sr. Leonel Coelho, Membro da Direcção da Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro, Alhos Vedros
- Srª Drª Ana Bela Santos, Advogada, Almada
- Srª Drª Rita Garcia Pereira, Advogada, Docente Universitária, Lisboa
- Sr. André Silva, Analista de Sistemas, Lisboa
- Sr. Professor Doutor José Pinto da Costa, Professor Catedrático de Medicina Legal, Porto
De seguida, faço aqui um sentido agradecimento ao conjunto de pessoas que permitiram que esta sede se pudesse concretizar – para além da disponibilidade do proprietário e senhorio, Sr. Loureiro, só foi possível chegar até aqui graças aos dedicados esforços do Álvaro Carrapito e do Luís Franco e em particular de toda uma equipe constituída pela Drª Ana Bela Santos, Elisabete, Anabela, Maria Guiomar, Francisca, José Augusto, André, Rita e também pelo Guilherme, pela Rosário, pela Mariana e pelo Seixas.
A inauguração desta nossa sede de candidatura culmina assim um esforço muito grande para pôr de pé os principais instrumentos de campanha – a constituição do essencial das diversas equipes e órgãos de candidatura, a sede, os instrumentos de propaganda (cartazes, manifestos e autocolantes) que permitem conferir desde já uma visibilidade à candidatura, tão grande quanto possível, tudo isto do mesmo passo que decorre, e terá que decorrer agora a um ritmo ainda maior, a recolha de assinaturas das declarações de propositura.
Espinha dorsal desta estrutura que quero começar hoje a divulgar publicamente são os mandatários e directores nacionais da candidatura que, de igual modo, me deram a honra de aceitar o convite que lhes dirigi nesse sentido, e que passo a apresentar:
- O Director Nacional da Campanha, o meu camarada Luís Franco;
- A Directora da Logística e Equipamentos Centrais, a Drª Ana Bela Santos;
- O Mandatário financeiro, o Domingos Bulhão;
- A Mandatária Digital, a Drª Rita Garcia Pereira;
- A Mandatária para a Juventude, a Drª Ana Montalvo;
- E a Mandatária Nacional, a Drª Ana Leal.
Com uma equipe como esta, com uma Comissão de Honra de que tanto me orgulho, com todo este vosso apoio, e com os princípios por que se pauta a minha, a nossa, candidatura, é naturalmente com grande entusiasmo que me lanço neste combate.
Um combate profundamente desigual e injusto, feio, sujo até ! Devo aliás dizer que fui ontem mesmo informado de que – tal como aliás sucedeu há cinco anos atrás – o "Expresso" já começou a espiolhar a minha vida pessoal, profissional, académica e política com vista a – agora que apesar de tudo é cada vez mais difícil ocultar a existência desta candidatura – desencadear nova campanha negra. Mas que até por isso só serve para reforçar a minha, e a vossa, firme disposição para lutar.
Antes de mais, porque nesta "democracia de opereta" assistimos actualmente ao espectáculo absolutamente lastimável de precisamente os responsáveis pela situação a que o nosso País chegou, ou seja, os partidos do Poder, os Partidos com expressão parlamentar e a Comunicação Social ao seu serviço, já terem decidido que só eles, isto é, só esse "G-5" tem direito à palavra e que só esses candidatos têm direito a ser conhecidos pelos cidadãos.
Aliás, a farsa está agora já completamente montada – o Presidente da República diz que ouviu todos os candidatos para fixar a data das eleições e afinal só ouviu aqueles cinco. Isto é, para o Dr. Sampaio todos os candidatos são apenas e tão só esses seus cinco amigos. A Comissão Nacional de Eleições diz que, como ainda não há candidaturas formalmente apresentadas no Tribunal Constitucional, o princípio da igualdade de tratamento das candidaturas não se aplicaria. Está deste modo descoberta a "pólvora sem fumo": fazem-se os debates só com os cinco candidatos do Poder antes da campanha e assim fica tudo bem !
Meus Caros Amigos: Pois não é verdade que se tudo isto não fosse demasiado sério, era mesmo completamente ridículo e risível ?
Quero por isso fazer também uma declaração política de desafio, atirando daqui ostensivamente a luva à cara de cada um desses cinco candidatos do Poder.
É que em Democracia, em verdadeira Democracia, quem tem convicção na justeza das posições que defende não teme, antes deseja, o debate com os seus adversários !
E por isso, Dr. Mário Soares, Dr. Cavaco, Dr. Manuel Alegre, Dr. Francisco Louça e Sr. Jerónimo de Sousa, se dizem que estão dispostos a debater com todos os candidatos, então de novo eu vos digo, daqui e desde já, que vos desafio a que mostrem que não são hipócritas, que não estão a falar de cor e que aceitem debater comigo em pé de igualdade os gravíssimos problemas do País e as ideias de cada um de nós para os atacar e resolver.
E agora até acontece que essa gente desatou a falar sobre quais seriam ou deveriam ser os poderes do Presidente da República, os mesmos poderes cujo não exercício pelo actual Presidente da República até hoje nunca os preocupou.
Mas, antes de mais, a grande questão não é a daquilo que o Presidente da República pode fazer, mas sim aquilo que ele não deve fazer !
É que o Presidente da República não deve servir – como pretendem o Dr. Soares e o Dr. Cavaco – para explicar e convencer o Povo Português da bondade da política profundamente errada do Governo, mas antes para transmitir ao Governo a indignação dos cidadãos portugueses face a essa mesma política !
O Presidente da República não deve servir para aceitar caucionar e legitimar a contínua fraude política consistente em um partido se apresentar ao eleitorado com um determinado programa e, depois de obtidos os votos e chegado ao Poder, aplicar uma política não apenas diferente mas até completamente oposta àquela que se comprometera seguir !
Um Presidente da República digno da sua função não pode permitir que em qualquer acto eleitoral possa haver candidatos de 1ª e de 2ª ou que qualquer dos seus concidadãos possa ser silenciado ou discriminado pelas ideias políticas, sociais, religiosas ou culturais que ele professe, quaisquer que tais ideias sejam !
O Presidente da República não pode ficar mudo e quedo, quando a Justiça se transforma numa "arma de arremesso" ao serviço de operações de assassinato cívico, em que reina a completa irresponsabilidade, em que o princípio constitucional da presunção de inocência é substituído pelo princípio policiesco da presunção de culpa e em que só os mais pobres e os mais fracos são atingidos; ou quando Portugal é hoje, e cada vez mais, um país sem economia, sem futuro, sem coragem, sem confiança !
Aquela que não deve, e não pode ser, que de todo não é aquela de que o País precisa é afinal a Presidência da República que temos tido. E o Dr. Mário Soares e o Dr. Cavaco tão somente representam "mais do mesmo", ou seja, a continuidade para pior desse rumo desastroso para Portugal.
E os restantes três candidatos do "G-5" representam apenas a garantia de que, com Soares ou com Cavaco, tal continuará sendo assim !
É, pois, altura de este País mudar de rumo ! O logótipo da nossa candidatura mostra e representa isso mesmo. Mostra e representa que, tal como afirmei há dois meses atrás, "é imperioso mudar de agulha, traçar o rumo certo, começar a navegar no azimute correcto e mostrar que é possível vencer"
"É preciso não aumentar impostos e diminuir salários, mas antes criar a economia e apostar na inovação tecnológica e na qualificação dos recursos. É preciso voltar a criar, naturalmente em moldes modernizados e tecnologicamente avançados, a nossa Indústria, a nossa Agricultura, as nossas Pescas ! É preciso afirmar a nossa própria identidade social e cultural. É preciso garantir os princípios essenciais do Estado de direito e salvaguardar os direitos e liberdades cívicas fundamentais. É preciso combater a lógica do medo, e a ideologia do oportunismo, do golpe, da mentira e do vira-casaquismo".
Meus Caros Amigos: O nosso País não está perdido ! Este país – que amo profundamente – tem futuro ! Sei – como a vossa entusiástica e dedicada presença aqui demonstra – que há muitos, milhares, dezenas, centenas e centenas de milhares de cidadãos que estão dispostos a travar este combate pela Liberdade e pela Democracia, pela Justiça, pelo Progresso e pelo Bem estar.
Amo o meu País ! Tenho orgulho em ser português ! E recuso-me a render-me perante a injustiça, a prepotência e a indignidade !
Aprendi com os meus Pais e os meus Avós, e sobretudo com o seu exemplo, que os princípios são o que de mais importante temos na vida.
Como aprendi que nada há de mais belo e gratificante do que lutar por causas, e sobretudo pela causa da Liberdade e da Democracia.
Amo a vida ! Admiro o Mar ! Emociono-me sempre com a cena do cantar da Marselhesa no filme "Casablanca" ! Gosto dos meus Amigos até porque eles – como costuma dizer o meu querido Amigo João Soeiro – são como as estrelas: "às vezes podemos não conseguir vê-los, mas sabemos que eles estão lá" !
Mas sobretudo sou, como cada um de vós, um cidadão simples mas de pleno direito, e cioso de o ser. Incapaz de calar a voz do protesto perante o que está errado ou é injusto, mesmo que o injustiçado seja alguém de quem nós discordamos ou não gostamos. Que não se deixa intimidar, nem corromper, nem calar.
É por isso e é para isso que, esperando ser digno da vossa gratificante confiança, aqui me têm na primeira linha desta batalha.
Se querem mais do mesmo, se querem continuar a conformar-se com o futuro que outros vos impõem, então votem em qualquer dos candidatos dos cinco Partidos do Poder.
Mas, se não querem mais conformar-se com o que está mal; se não aceitam calar-se perante a destruição do nosso País; se acham que é preciso começar a romper com este estado de coisas; se acreditam que "o sonho comanda a vida" e se têm confiança em que mesmo os mais poderosos e injustos podem ser vencidos, então venham comigo.
Somos uma candidatura sem milhões, mas com ideias !
Sem poderes e compadrios, mas com a Razão e a Justiça !
Temos, por isso, o futuro inteiro à nossa espera !
Vamos a isso !
Lisboa, 12 de Novembro de 2005
António Garcia Pereira

1 Comments:

Anonymous Nelson Gouveia said...

Tanto mar
Chico Buarque




1975
(primeira versão)*



Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

* Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.



1978
(segunda versão)

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

7:11 da tarde  

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